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É um núcleo de trabalho dentro da CUFA (Central Única das Favelas), que se diferencia dos demais por ser composto apenas por mulheres que integram a referida instituição. Temos como objetivo trabalhar com mulheres (prioritariamente negras) residentes em comunidades que estão em situação de risco social. Para tanto, usaremos o protagonismo feminino como linha de frente, ou seja, proporcionar a participação efetiva das mesmas no processo educativo, com vistas à conscientização, a elevação da auto-estima, senso de organização e torna-las detentoras de conhecimentos a ponto de se verem e se reconhecerem como cidadãs, visando o fortalecimento político social e econômico da mulher que vive nas periferias. E POR QUE SE CRIOU O NÚCLEO MARIA MARIA? Por milhares de anos e em praticamente todas as sociedades, a mulher vive situação de desigualdade em relação ao homem. Isto pode ser constatado pelas diferenças sociais e econômicas existentes entre mulheres e homens. As mulheres são maioria entre a população pobre do mundo, são também maioria entre a população analfabeta no mundo e no Brasil; receberam o “status de cidadãs” mais tardiamente e ainda estão pouco representadas nas instâncias de poder no Estado e na sociedade, também são afetadas de forma mais contundente, tanto no que diz respeito às discriminações sociais quanto ao reconhecimento, incluindo o auto-reconhecimento, de que são titulares de direitos. Essa situação é ainda mais grave para as mulheres afrodescendentes (e principalmente para aquelas que vivem em situação de risco social). É assim que a discriminação
se abate sobre a mulher, que resulta de uma conduta que agrega três
tipos: cor/raça, gênero e condição sócio-econômica.
Porém, o que a realidade nos mostra é totalmente avessa à lei. São inúmeros os casos de violência contra mulher, quer seja física, sexual ou psicológica. A violência contra a mulher, atualmente, tem sido chamada de violência de gênero. Essa expressão significa que não são as diferenças biológicas entre os homens e as mulheres que determinam o emprego da violência contra a mulher. Significa que são os papéis sociais impostos a homens e mulheres, reforçados por culturas patriarcais, que estabelecem relações de violência entre os sexos. O preconceito e a discriminação contra as mulheres, vêm de longe, circulam folgadamente nos provérbios populares, estão comodamente instaladas na moral tradicional, nos costumes, nas letras das canções populares, ou seja, o machismo não acabou e impera de forma cruel. É verdadeiro que houve uma emancipação, porém, não foi o suficiente para derrubar as barreiras construídas desde 1500. Em nossa sociedade a mulher é tida como sexo frágil, no entanto, segundo pesquisa do IBGE 31,04% das mulheres são arrimo de família. Acreditamos que nossa proposta de ação
contribuirá e muito para que as mulheres renasçam, sintam-se
cidadãs e protagonistas de sua própria história,
e a partir daí aconteça à inclusão tão
desejada por todos (as) nós. Assim esse projeto torna-se um desafio
assumido por quem acredita que transformar é possível!
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